Ef 6.10-20
Ef 6.10-20
A vida é uma batalha. Esta frase é quase que um chavão para nossos dias, tanto que nos referimos a viver como batalhar e, se alguém nos pergunta como vamos, é até possível que nossa resposta seja batalhando.
Olhando do lado espiritual, percebemos que também enfrentamos uma batalha. E não é uma guerra qualquer. As maiores guerras que este mundo já viu, não são nem sombra para a batalha que enfrentamos. Isso, como diz Paulo, porque não estamos lutando contra seres humanos, mas contra as forças espirituais do mal ... as autoridades e os poderes do universo, desta época de escuridão. Por não se tratar de uma guerrinha qualquer, também as armas necessárias são especiais. Para que vençamos, Paulo recomenda que façamos uso de sete aparatos diferentes, e cada um deles é uma arma de defesa ou de ataque que Deus nos dá.
1. O cinturão da verdade.
No equipamento que Paulo recomenda, o primeiro citado é o cinturão. Numa primeira vista parece ser um equipamento de pouca importância. Mas é preciso lembrar que Paulo tinha em mente um soldado romano e, neste caso, o cinturão era algo especialmente projetado. Ele era responsável por deixar tudo no lugar, por dar segurança e agilidade no uso dos demais utensílios.
Em nosso caso, o cinturão não é qualquer um, mas é o cinturão da verdade. E também esta verdade não é uma verdade humana ou uma verdade qualquer, mas a verdade que Deus nos faz conhecer em sua Palavra. Verdade a respeito de nós mesmos e de Cristo. É a verdade sobre nossos pecados e sobre nosso Salvador, Jesus Cristo, que nos acompanha na batalha contra Satanás, o pai da mentira.
A mentira de Satanás é semeada entre os homens e ela até mesmo invade a igreja de Cristo. E se não usamos o cinturão da verdade de Deus, ou seja, a sua Palavra, podemos ser facilmente derrotados. Mas se o cinturão da verdade está fortemente fixado em nós, então a Igreja mantém todo o seu arsenal no lugar, e pode lutar. Mesmo quando Satanás nos acusa com a verdade de que nós somos pecadores, podemos então nos defender com outra verdade, a de que Cristo nos salva de nossos pecados.
2. A couraça da justiça.
Outra parte importante do equipamento do soldado romano era a couraça. Ela cobria todo o peito e costas. Sendo feita de metal, impedia que as armas do inimigo o ferissem mortalmente.
Paulo também nos recomenda que usemos a couraça, a couraça da justiça, justiça que Deus nos dá em Cristo.
Mais uma vez Satanás tenta nos iludir com a couraça da nossa própria justiça, da nossa bondade e de nossas boas ações. Mas tudo o que nós fazemos, uma vez que somos pecadores, não passa de trapos imundos, sem qualquer utilidade. E também aí Satanás vem nos tentar, dizendo que nossa justiça é inútil, imperfeita, enfim, que somos completamente injustos.
Felizmente, Deus nos vestiu com a justiça de Cristo e, por isso, nós somos perfeitamente justos. Assim nós também vencemos Satanás, pois estamos usando o cinturão da verdade de Deus e a couraça da justiça de Cristo.
3. Os sapatos da paz.
Um soldado romano também era equipado com bons sapatos, confortáveis e que davam agilidade. Desde cedo os generais romanos perceberam que com os pés descalços os soldados não tinham destreza em qualquer terreno. Isso porque a guerra nem sempre acontecia num local cheio de grama. E mesmo aí, podiam existir rosetas e outros espinhos. E, se os pés sofriam, o soldado não podia guerrear direito. Por isso providenciaram sapatos.
Para a nossa batalha Paulo recomenda que calcemos, como sapatos, o entusiasmo para anunciar a Boa Notícia de paz. (v. 15). A paz em questão é a paz entre Deus e os homens. Esta paz Deus nos deu quando enviou seu Filho Jesus para morrer pelos nossos pecados.
Quando sabemos que não precisamos temer Deus por causa de nossos erros e pecados, então também temos coragem para até mesmo caminhar entre os escorpiões do mal, porque sabemos que Deus está conosco, nos amparando e nos ajudando nesta guerra.
4. O escudo da fé
Outro aparato de guerra, este de defesa, que o soldado romano usava, era o escudo. quase sempre em formato arredondado, servia para proteger contra as flechas que eram disparadas pelos inimigos.
Nosso inimigo também lança flechas, flechas inflamadas que podem nos destruir. São as mentiras, os ataques ao que cremos, ao que ensinamos e a como vivemos. E, por nós mesmos, somos facilmente vencidos, tanto que não é difícil encontrar pessoas que abandonaram a sua fé e, assim, morreram espiritualmente, já que abandonaram Cristo.
Por isso Paulo nos aconselha a levar sempre a fé como escudo, para poderem se proteger de todos os dardos de fogo do Diabo(v 16). Quando firmamos nossa fé, a certeza do perdão que Cristo nos conquistou e, com ele, a certeza da vida eterna, então nós somos feitos invencíveis com Cristo. Aí então nós também temos uma defesa na qual as flechas incendiárias de Satanás não podem penetrar, sejam elas de doenças, desânimo ou perdas muito grande. Nenhuma destas flechas pode nos derrotar, pois estamos protegidos pelo próprio Cristo.
5. O capacete da salvação
Uma coisa é certa, a cabeça do soldado romano precisava ser muito bem protegida. Isso porque os inimigos usavam armas como porretes e maças - bolas de ferro presas a uma corrente -, com os quais procuravam destruir, matar. Por isso foram projetados capacetes que protegiam os soldados.
Também nós precisamos de um capacete para nossa batalha. E Paulo recomenda que usemos a nossa salvação como capacete. Uma das armas que Satanás mais usa é a da dúvida. Sempre de novo ele vem nos tentar com a dúvida em relação ao perdão dos pecados e à salvação. Tanto que é muito comum ouvirmos pessoas perguntando se alguém pode ter certeza de ser salvo eternamente.
Ora, Cristo nos garante que veio para que nós tenhamos vida, e que quem crer nele jamais morrerá eternamente. Além disso, com seu sacrifício, Cristo garante que todos os nossos pecados foram perdoados. Essa foi a promessa que Deus fez a Adão e Eva logo após eles terem cometido o primeiro pecado. E em Cristo Deus cumpriu sua promessa. Portanto, não temos por que duvidar. A salvação que temos em Cristo nos assegura de nossa liberdade do pecado e da morte eterna. E, assim, estamos seguros, pois as investidas de Satanás não podem nos causar dano que seja permanente.
6. A espada da Palavra de Deus
Até agora vimos os apetrechos de defesa do soldado romano. Mas ele não podia apenas se defender. Ele também precisava atacar. Neste caso, precisava ser hábil no uso de sua arma, a espada.
Deus nos protege, com o cinturão da verdade, com a couraça da justiça de Cristo, com os sapatos da paz, com o escudo da fé e com o capacete da salvação. Com estes equipamentos não precisamos temer as investidas do diabo. Mas nós também precisamos atacar e, para isso, precisamos usar a espada da Palavra de Deus, espada esta que o Espírito Santo dá a cada um de nós.
O Espírito Santo trabalha na Palavra de Deus e, por isso, ela é uma fonte de poder, com a qual nós podemos atacar e espantar a amargura, o ressentimento, a raiva e o desespero a que muitas vezes Satanás nos conduz. Quando nós desembainhamos a Palavra de Deus e a usamos contra Satanás, o próprio Cristo está lutando em nosso favor.
Para usar bem sua arma, o soldado romano treinava várias horas por dia. Para que nós também possamos usar bem a nossa espada, a Palavra de Deus, precisamos, tal como o soldado, aprender a manuseá-la, treinando diariamente, ou seja, lendo e meditando nos seus ensinamentos.
7. A Oração
Finalmente, Paulo destaca um equipamento que os soldados romanos não possuíam: a oração. Paulo diz que devemos fazer tudo isso, ou seja, usar a verdade como cinturão, vestir a couraça da justiça, calçar os sapatos da paz, ter a fé como escudo e a salvação como capacete, e ainda manusear a espada da Palavra de Deus, com oração, pedindo a ajuda de Deus. Orem sempre, guiados pelo Espírito de Deus. Por isso fiquem alertas, não desanimem e orem sempre pelo povo de Deus. (v. 18).
A oração é um equipamento de Deus que dá proteção maior que toda esta armadura que descrevemos. Ela cerca todos os lugares, porque nos alerta para a vigilância e perseverança na batalha, e ainda abre as portas para todos os recursos bélicos do arsenal de Deus. Por isso nós devemos fazer uso constante da oração, não apenas em nosso favor, mas também em favor de todos os outros cristãos, a fim de que Deus os possa equipar para se saírem bem na batalha contra os poderes do mal.
Conclusão
Meus amados irmãos, vamos nos vestir para a batalha. Vamos vestir a armadura de Deus, o cinturão da verdade, a couraça da justiça de Cristo, os sapatos do Evangelho, o escudo da fé, o capacete da salvação. Vamos usar com destreza as armas de ataque, a espada da Palavra de Deus, e a oração. Enfim, vamos lutar com o auxílio de Deus.
As guerras deste mundo são sangrentas e muitas vezes acabam em morte, milhares, milhões de mortos. A guerra contra os poderes do mal é ainda pior, pois causa morte eterna aos que são derrotados. E só são derrotados aqueles que querem lutar sozinhos, sem o auxílio e a proteção de Deus.
Nós temos, à nossa disposição, os aparatos de defesa e de ataque que Deus nos dá. Vamos usá-los sempre. Assim nós podemos levar Cristo para todos e avançar com gratidão a Deus, pois Deus nos equipa para a batalha e luta ao nosso lado. Amém.

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